Fazer refletir no texto o contexto sem, entretanto, usar o pretexto de textualizar sem contextualizar - Laércio Castro
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segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Belém - Trabalhadores da construção civil vão às ruas


Veja a transcrição do áudio de  uma entrevista que o coordenador geral do Sindicato da Construção Civil de Belém, PA, Ailson Cunha, deu hoje(31) pela manhã, ao Portal ORM


“Ontem nós estivemos o dia todo na reunião do sindicato e nós resolvemos que nós íamos parar com os canteiros de obras porque esse acidente que está comovendo a cidade, aonde veio abaixo o Prédio da Real, com 35 andares, nós achamos que isto é uma política muito nefasta. Isso prova que não está tendo um combate para uma política adequada dentro dos canteiros de obra pra   regularizar e parar os acidentes de trabalho. Então nós resolvemos parar os trabalhadores porque hoje nós vamos fazer um dia de luto e vigia da DRT porque nós achamos que a DRT está tendo falhas também, na fiscalização dela. O nosso sindicato é um sindicato limitado, quando a gente vê uma irregularidade nos  canteiros de obra a gente não tem condições, a gente não tem poder para embargar uma obra. A gente aciona a DRT, a Delegacia Regional do Trabalho e infelizmente, ela está deixando a desejar. Ela não está fazendo o serviço como deveria. Agora, o que está dando mais angústia, porque desde sábado, nós achamos que o serviço ta lento. Os trabalhadores estão aí soterrados, não estamos vendo   nenhuma pressa  pra achar os corpos dos companheiros. E essa assembléia de hoje e essa paralisação também. Nós vamos insistir, nós vamos pra 3 de maio, nós vamos chamar o representante do corpo de bombeiros, vamos mostrar que os trabalhadores estão dispostos a entrar naquele entulho, cava até que consiga achar os dois corpos dos companheiros. Mas, essa política é uma que nós acreditamos que hoje, os empresários estão numa porfia, estão querendo que se construa um prédio cada vez mais rápido e botando a vida do trabalhador sempre em segundo plano. Só pra você ter uma idéia, no ano passado nós fechamos, de janeiro a dezembro, mais de 11 companheiros mortos. Nesse mês de janeiro que, segundo informe que já chegou até nós, dois companheiros já perderam a vida. Então, se não tiver uma política adequada os acidentes vão continuar acontecendo e todo ano, pra você ter uma idéia a gente exige dos empresários, na nossa  campanha salarial, plano de saúde, mais segurança no local de trabalho e eles têm a coragem de dizer que eles não têm condições porque o que eles ganham não dá e nós sabemos que é mentira. Por exemplo, só esse prédio da Real que veio abaixo, cada apartamento daquele sai em torno de R$500 mil. Então, isso prova de que dinheiros eles têm pra fazerem uma política, mas, não querem. Mas, nós vamos continuar. Essa luta hoje, nós vamos começar e não sabemos se vamos estender pro resto do dia ou da semana, nós vamos decidir na assembléia de hoje, logo mais. Os trabalhadores não agüentam mais o ritmo de trabalho que estão acontecendo aos sábados e domingos, nos canteiros de obra... Nós não tivemos assim, uma denúncia de que aquele prédio poderia vir abaixo. Pra nós foi até uma surpresa. Mas, eu acredito que com certeza, eu não quero afirmar, mas todo mundo vê que, um prédio daquele ter afundado como afundou, não tem outra explicação: fundação mal feita... Porque, ele não tombou nem para a esquerda, nem para direita, ele afundou. Porque afundou? Fundação mal feita, não tem outra explicação. Mas, os laudos vão sair, a perícia vai sair e nós vamos aguardar pra que seja concluído”.

Segundo o Portal ORM, Dois promotores de justiça e policias militares cumpriram na manhã desta segunda-feira (31) um mandato de busca e apreensão de documentos da sede da construtora Real Engenharia, na Travessa Timbó, em Belém. A sede da empresa foi lacrada na noite do domingo (30) e policiais militares permaneceram durante toda a madrugada para evitar que fosse retirado qualquer documento.

Entre os documentos apreendidos estavam notas fiscais referentes a compra de materiais para a obra do edifício que desabou no último sábado (29), na Travessa 3 de Maio. Os policiais e os promotores permaneceram no local por mais de duas horas e ainda encontraram a planta do projeto do prédio e outros documentos da empresa.

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domingo, 30 de janeiro de 2011

1987 - Edifício desaba em Belém e mata 39 pessoas.


A tragédia de hoje a tarde, quando o prédio Real Flex, que estava em construção, desabou sobre 3 casas, no bairro de Nazaré, em Belém do Pará,  nos faz reportar ao dia 13 de agosto de 1987, quando, também, na capital paraense, no bairro Umarizal, desabou o Edifício Raimundo Farias, matando 39 trabalhadores que estavam na obra do prédio de 13 andares.

Após a tragédia, na ocasião, muito se discutiu sobre as construções erguidas em Belém, cuja engenharia deveria  ater-se  mais tecnicamente para a qualidade do solo da região, por conta da constatação da fragilidade na fundação do edifício que veio a baixo.

Em 2007,  o jornalista, ex-prefeito de Belém e ex-governador do Pará, Helio Gueiros, escrevia um artigo no Diário do Pará, sobre a situação de reurbanização da  capital paraense, quando se pretendia cobrir o Canal da Doca. Veja o que Gueiros escrevera:

Durante a semana, abalizado engenheiro sugeriu que a prefeitura mandasse cobrir toda a extensão do canal da Doca afirmando que não há nenhum risco para a estabilidade dos prédios erguidos e dos que venham a ser construídos.
Todos estarão firmes como o Pão de Açúcar do Rio e as edificações resistirão até a esses abalinhos sísmicos acontecidos há 3 ou 4 dias no Pará e no Amazonas. Pode-se tapar o canal de cabo a rabo porque não vai acontecer nada.
Belenense de muitos cabelos brancos, numa roda na Assembléia Paraense, o clube, falou para o grupo de atentos ouvintes: – Não quero, meus amigos, de maneira alguma, contestar o veredicto do douto opinante sobre a invejável qualidade dos terrenos ao longo da Doca de Souza Franco. Apenas quero lembrar que depois de aterrada pela administração do prefeito Nélio Lobato, mas antes de ser drenada e pavimentada pela administração Hélio Gueiros, a Doca foi palco de uma tragédia inesquecida. Um prédio em construção, já com os seus oito ou nove andares levantados, ruiu espetacularmente transformando tudo em escombros e matando centenas de operários que trabalhavam na obra.Sentindo-se bem ouvido na sua recordação, o veterano belenense invocou outra situação do passado: – Outra coisa, meus amigos, ao tempo de Hélio Gueiros na prefeitura, ele anunciou que iria cobrir todo o canal da 14 de Março tornando a rua muito mais ampla, sem a divisão pelo leito do igarapé ou rio. Foi então que um professor da Universidade escreveu artigo no jornal anunciando que, se o canal fosse coberto pela pavimentação, a compressão provocaria uma explosão de gases que abalaria e derrubaria as duas torres da Basílica de Nazaré. A cobertura do canal seria na 14 de Março, mas os seus efeitos físicos iriam acontecer no Largo de Nazaré.
– E aí, que fez o então prefeito? Foi em frente? – indagou um ouvinte mais jovem.
– Não, não foi em frente, – continuou o expositor. – Mandou que os seus técnicos opinassem sobre a perspectiva da catástrofe e, como sentiu que a sua equipe ficou indecisa, cancelou o projeto de cobrir com asfalto o canal da 14.
E concluiu: – Não sei nada de fenômenos da ciência, mas conheço um pouco da história de Belém. E isso ajuda. Temo que um risco permanente deixará intranqüila a população das vizinhanças. E a Holanda, meus amigos, cortada e recortada por canais em toda parte? Ninguém fala que eles devam ser cobertos! Aqui no Pará quer se fazer o que o resto do mundo não faz!
– Falou e disse, – foi a reação do assessor da página especializado em riscos de calamidade pública.

 Abaixo acompanhe o video da tragédia do desabamento do Edifício Raimundo Farias, em 1987.

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